I Encontro Estadual Mulheres de Axé do Rio de Janeiro

O I Encontro Estadual Mulheres de Axé do Rio de Janeiro foi realizado pela Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2011, no município do Rio de Janeiro, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro.

O evento teve como objetivos: contribuir para qualificar o ativismo das mulheres de terreiro, fortalecer e ampliar a participação das mulheres nos espaços de defesa dos direitos humanos e do controle social de políticas públicas.


Público: Mulheres de terreiros do Estado do Rio de Janeiro, Gestores de saúde e da promoção da igualdade racial

Local: Arcos Rio Palace Hotel
Avenida Mem de Sá 115 - Lapa - Centro/ RJ

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O que as mulheres acharam do encontro?

Para mim a palavra que sintetiza esse encontro Mulheres de Axé foi  fortalecimento, para nós esse foi o ponto central desse encontro. O encontro permitiu fortalecer a auto-estima, as trocas de experiências, e perceber que não estamos sozinhas nessa luta. Ainda temos muito o que fazer mas lembro que muitos passos foram dados.
A Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saude merece elogios pois possibilitou que pudéssemos nos encontrar, falar do nosso jeito, o jeito da tradição. As expositoras tambem conseguiram falar sem aquelas palavras muito técnicas que acabam ficando chatas e a gente não consegue entender. E eu acho que nós mulheres  aproveitamos muito bem esse tempo e espaco. Estamos todas de parabéns.


Mãe Helenice, Mãe Omin e Mãe Nina

O encontro foi um presente para mim. Foi a primeira vez que sai de Porto Velho. Imaginem voces, eu nunca tinha visto o mar, isso mexeu comigo, fiquei emocionada. É bom conhecer pessoas de outros estados para trocar experiêncais , saber sobre o que as mulheres estão realizando com tanta dificuldade, encontrando saídas para desenvolver suas ações e o melhor de tudo é saber que náo estou sozinha nessa luta(Mãe Hostia - Porto Velho/Rondônia).

Temos que retornar para o nosso caminho, voltar a fazer as reuniões nos terreiros e continuar nos encontrando como fazíamos antigamente. É muito importante a informação e vejo que nos outros estados tem muita açao e o Rio de Janeiro precisa ficar também fortalecido. Temos que continuar levando esse trabalho para o nosso povo(Mãe Beata de Iemanjá - Nova Iguaçu/Rio de Janeiro).

Eu gostaria de elogiar a organizaçao do evento, pela tranquilidade e harmonia desse encontro. Eu já estou com saudades e acho que seria importante a realizaçao de outros encontros como esse para trocarmos experiências pois as  mulheres saem fortalecidas. Reunimos forças para dar continuidade as nossas lutas e atividades locais(Mãe Jorgina - Magé/Rio de Janeiro).

Vilma de Iansã, Mãe Ignez, Mãe Jane e Mãe Dolores

Para mim o mais importante foi o acolhimento e o carinho que esse encontro nos oportunizou. Volto para casa fortalecida, com muita bagagem pois aprendi muita coisa. Vou exigir meus direitos e continuar batendo na porta do SUS para que o povo de axé possa ser atendido com dignidade e respeito(Mãe Omin -  Londrina/Paraná

Eu sinto que estamos crescendo cada vez mais e juntando mais gente em torno desses temas. O Mulheres de Axé aqui no Rio teve discussões bem interessantes que nos permitiram ficar melhor informadas sobre temas que enfrentamos em nosso dia a dia. É bom saber que juntas podemos pensar  soluções para nossos  problemas. Ainda temos muito o que conquistar(Mãe Tânia de Iemanjá - Todos os Santos/Rio de Janeiro)
Mãe Edelzuita de Oxalá e Mãe Beata de Iemanjá

Eu pensava que estava sozinha mas a Rede me integrou a outras mulheres e me proporcionou momentos de felicidade por saber que ainda é possível mudar muitas coisas. Mulheres de Axe tem subido todo o ano a Serra da Barriga no dia 20 de novembro, mas a grande novidade foi a conquista de um espaco permanente para a Barraca da Saúde da Rede Nacional de Religões Afro-Brasileiras e Saúde, na Serra da Barriga. Penso que podemos fazer um encontro como esse em Maceió e vamos juntar mais mulheres e crescer, mas crescer muito.(Mãe Neide - Maceio/Alagoas).

Momentos do Encontro Mulheres de Axé


Odorico Monteiro, Secretário da SEGEP/MS sauda Mulheres de Axé

Prezado José Marmo,

Impossibilitado de participar da abertura do I Encontro Estadual de Mulheres de Axé do Rio de Janeiro, gostaria de levar minha homenagem e apoio a essa importante organização do movimento social brasileiro que expressa a diversidade, a pluralidade e a religiosidade de nosso povo, em especial das mulheres. Mulheres guerreiras, mulheres sensíveis, mulheres negras, mulheres plurais. 

A mulher brasileira guarda no seu jeito de ser o poder de sua alma e de sua garra, escrito em poesia e prosa na história falada, muitas vezes silenciada na história escrita. Resgatar esse lugar da participação feminina, em todos os espaços de manifestação do povo, incluindo a pluralidade religiosa e cultural é fundamental. É resgatar a presença feminina na história do nosso Brasil. 

Conte conosco para dar visibilidade às diferentes expressões do movimento feminino na sua diversidade de organização social e  para contribuir com o fortalecimento da luta da mulher para ocupar o seu espaço de poder e de fala. 

Sucesso no evento. Axé para todas e todos. 

Odorico Monteiro
Secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Veja a programação oficial do Encontro Mulheres de Axé


Programação
21 de fevereiro de 2011
-  08:30h - Mesa de Abertura
 - 09:30h – Representações do poder feminino na visão de mundo das religiões de matrizes africanas – Helena Theodoro
- 11:00h – Mulheres e Racismo: revisitando as desigualdades de gênero e raça – Jurema Werneck
- 12:30h - Almoço
- 14:00h – Plano Nacional de Políticas para as Mulheres,  o que as mulheres de terreiro tem a ver com isso? – Lucia Xavier
- 15:30h - A Epidemia de HIV/Aids no Estado do Rio de Janeiro- SESDEC/RJ
- 16:30h - Mulheres de terreiro no  Enfrentamento da Epidemia de HIV/Aids: o que estamos fazendo para mudar nossas realidades?  Mãe Nalva de Oxum e Mãe Cristina de Oxum
- 18:00h – Lançamento do Ponto de Cultura Criola
22 de fevereiro de 2011
- 08:30h – Plano de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de HIV/Aids e Outras DST: subjetividades e qualidade de vida – Simone Cruz/Rede Lai Lai Apejo
- 09:40h – Financiamento de projetos para as mulheres – Amália Fischer/Fundo Elas
- 11:30h – Informe da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde no Fórum Social Mundial – Dakar/Senegal- Mãe Nilce de Oyá
- 12:15h - Almoço
- 13:30h- Levantamento das demandas das mulheres de axé e construção de estratégias para fortalecimento da participação das mulheres de terreiro no controle social de políticas publicas – Mãe Nilce de Oyá e Mãe Ofá
- 16:30h - Encerramento

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Saúde da Mulher promove ações para as mulheres negras: o que percebemos é muita timidez e descontinuidade nas ações de saúde



"A área técnica de Saúde da Mulher tem como um de seus compromissos promover melhoria das condições de saúde das mulheres negras, ao incluir ações de cuidado, atenção, promoção à saúde e prevenção de doenças. Sabe-se que as mulheres negras sofrem dois tipos de discriminação: a racial e a de gênero.


Dados da publicação Saúde Brasil 2007 relatam que:
• entre as mulheres de raça/cor preta e parda, as doenças cerebrovasculares foram as principais responsáveis pelos óbitos. O risco dessas mulheres morrerem por essa causa foi duas vezes maior que entre as mulheres brancas.
• entre as mulheres pardas, os homicídios respondem pela segunda causa de morte, com um risco três vezes maior em comparação às brancas.
• o vírus do HIV ocupa o segundo lugar no ranking de mortalidade entre as negras. O risco de morte é 2,6 vezes maior que entre as mulheres brancas.


Há ainda, no Brasil, um consenso entre os diversos estudiosos acerca das doenças e agravos prevalentes na população negra, com destaque para:
a) geneticamente determinados – tais como a doença falciforme, deficiência de glicose 6-fosfato desidrogenase, foliculite;
b) adquiridos em condições desfavoráveis – desnutrição, anemia ferropriva, doenças do trabalho, DST/HIV/AIDS, mortes violentas, mortalidade infantil elevada, abortos sépticos, sofrimento psíquico, estresse, depressão, tuberculose, transtornos mentais (derivados do uso abusivo de álcool e outras drogas);
c) evolução agravada ou tratamento dificultado – hipertensão arterial, diabetes, coronariopatias, insuficiência renal crônica, câncer, miomatoses."



Apesar do Ministério da Saúde ter todas essas informações e parecer compreender a real situação das mulheres negras o quadro de desatenção e abandono permanece, pois as mulheres negras continuam morrendo de causas evitáveis. Não basta apenas ter os números, não basta apenas compreender, é preciso tomar atitude e ter vontade política para mudar o quadro a que as mulheres negras estão submetidas em nossa sociedade.


Que ações a Área Técnica de Saúde da Mulher vem realizando para as mulheres negras?. Quais foram as mudanças de atitudes dos profissionais em relação a saúde das mulheres negras? Quais as metas da Área Técnica de Saúde da Mulher em relação as mulheres negras? Quais tem sido os resultados?

O SUS têm princípios que devem ser permanentemente lembrados. A universalidade, integralidade e equidade deveria ser realidade para todos cidadãos e todas as cidadãs.

E porque isso não acontece para essas mulheres? Eu acho que voce deve saber a resposta.

Presidente do Forum Estadual de Ongs Aids participa do Mulheres de Axé

Com o objetivo de informar sobre o funcionamento e a importância do Forum Ongs Aids do Rio de Janeiro, o Sr.William Amaral, presidente do Forum, estará na Mesa de Abertura do I Encontro Mulheres de Axé do Rio de Janeiro. 
Essa será uma boa oportunidade para que as lideranças de terreiros presentes possam conhecer as estratégias de incidência em politicas públicas em hiv/aids realizadas pelo Forum e as atividades para o ano de 2011.

Lançamento do Ponto de Cultura Criola no Mulheres de Axé

No dia 21 de fevereiro será o lançamento do Ponto de Cultura Criola, no auditório do Arcos Rio Palace Hotel, como parte da programação do I Encontro Estadual Mulheres de Axé do Rio de Janeiro. O lançamento faz parte da parceria estabelecida entre a Rede Nacional de Religões Afro-Brasileiras e Saúde e a Ong Criola.

Nesse dia também serão lançadas várias publicações da Criola e todas e todos são convidados(as) para compartilhar desse momento. Compareça.

Data: 21 de fevereiro de 2011(segunda)
Horário: 18h
Local: Auditório do Arcos Rio Palace Hotel
Avenida Mem de Sá 115 - Lapa - Centro - RJ